então tá chovendo, ventando, frio pra caralho e minha vidinha deu aquela virada básica. não sei ainda se estou só triste ou no fundo um pouco feliz pelas mudanças. afinal, quem nunca teve uma mesma rotina por mais de4 meses aprende logo cedo a abraçar as mudanças que chegam e aqui na europa não foi diferente. mas talvez isso seja tema pra outro texto.
então resolvi falar do meu trabalho hoje. (quem sabe esse blog não vire um interessante blog sobre viagens e pare de ser um mimimi constante, não é mesmo?)
eu vim pra dublin com 3 mil e 500 euros. enquanto eu estava bem de boa no brasil fazendo continhas, eu JURAVA que esse dinheirinho garantiria os meus 6 meses de curso aqui e depois eu que me virasse pra levantar uma grana pra viajar e coisa e tal, e depois de uns 8 meses seria aquela horinha amada de voltar pro feijão na panela de barro.
daí que né, você chega aqui e vê que não é bem assim que a banda toca. em 3 meses eu não tinha mais um euro sequer. claro, eu levei uma vida do tipo beber, comer e sair pra caralho, comprar roupas lindas e não naquele antro de breguice que é a penneys, viajar e enfim, morei num hostel né, o que é mais caro que apê. mas não me arrependi de nada em nenhum momento… porque bem como as pessoas que leem isso aqui podem perceber, eu me diverti demais e fui igualmente abraçada por essa cidade e não tive nenhum período de adaptação nem nada assim. então, se alguém pedisse conselho de como agir logo na chegada, eu diria um belo de um: divirta-se! eu vejo muita gente meio amargurada aqui e eu tenho certeza que se você começar a lavar louça em restaurante ou ouvir criança irish chorando o dia todo no seu ouvido, no seu primeiro mês em dublin, a coisa não vai ser muito emocionante mesmo. mas cada um cada um (agora escrevendo isso que eu realizei que NUNCA vou conseguir ter um blog informativo sobre viagens, desses que o povo leva a sério…hahaha)
então, estava eu com 50 euros em mãos (vivo a vida perigosamente, um beijo) e com um mês pra arrumar emprego. eu já deixei pai e mãe avisados que talvez precisasse de um help, eu ainda tinha uma grana no brasil como caixa reserva. e comecei a busca enlouquecida pelo nosso emprego de cada dia aqui (comecei isso com 3 meses de dublin, mais uma vez, um beijo pra quem vive com responsabilidade).
aí que né, chamem de sorte ou de talento, no dia do meu aniversário, uma semana depois de começar a procurar (tive duas entrevistas de au pair nessa mesma semana, mas meu deus, a depressão que eu senti pegando aquelas criança irish no colo foi tanta, que vai render um futuro texto). então, retomando o raciocínio, no dia do meu aniversário fui numa entrevista num restaurante, fiz um teste no dia seguinte e passei. Dia 28 comecei a trabalhar e desde então eu me sustento 100 por cento e totalmente sozinha pela primeira vez.
vou dizer que ó, não tem preço não.
então meu trabalho super consiste em ficar na frente do restaurante conversando com os clientes que chegam lá. se esta vazio, eu tenho que fazer o lindo serviço de ~ panfletear~ menus e ficar falando pra quem se interessar no quanto o restaurante é incrível. eles chamam de PR (capaz que no futuro não vou colocar no meu curriculo que fui relações públicas de um restaurante na europa, acho chique). mas na real é ficar de pé na rua, no frio, conversando com todo mundo. é de boa, comparado com o que rola por aí né (limpar coco do filho dos outros por exemplo) e eu ganho gorjetas. e converso com todo mundo em inglês o dia todo.
então que você vê cada coisa. exemplo: italianos dificilmente falam inglês, e quando o fazem é inglês de índio sabe. uma coisa muito engraçada e que me rende ter que fazer gestos pra me comunicar, um luxo. franceses são quase sempre chatos e quase sempre falam em francês comigo, assim, como se eu fosse obrigada né? espanhois nao falam muito inglês tbm, mas são simpáticos. italianos tbm são quase sempre bem simpaticos. americanos, são tipo MEU SONHO, queridos, engraçados, conversadores e eles mesmo admitem que não entendem o que alguns irishs falam, então quem sou eu pra entender né? orientais só posso dizer que são muito muito muito MUITO estranhos,até hoje atendi uns 4 que foram socialmente aceitáveis (legais já seria um pouco de exagero) mas antes que me prendam por xenofobia, EU SEI QUE É LANCE CULTURAL. mas acho muito esquisito a dificuldade desse povo em simplesmente olhar pra sua cara e falar. gente da russia tem meu coração faz tempo e todos que eu atendi até hoje foram uns amores. e claro, ninguém acha que sou do brasil e todo mundo dá aquele gritinho de noooooooooooooo wayyyyyyyyyy quando eu falo. e todo mundo fala coisas boas de lá. e todo mundo fala de são paulo <3. e claro, obviamente tem bastante brasileiro passeando também e todos sempre são muito gente boa. desde o casal cinquentão que já chegou meio bebadinho e saiu de lá me abraçando e dizendo que deus me abençoasse e quase choraram perguntando sobre os meus pais, até o rapaz que vive na espanha e queria contatos pra comprar maconha em dublin. (só pra ilustrar o mar de opções que eu tenho todos os dias).
daí que tem também os mendigos. o king é, como o apelido dele já diz, o rei do pedaço. eu dei uma camiseta de presente pra ele um dia e ele disse: now you’re my sister, my princess, my friend for life. e me abraçou. dias atrás eu perguntei como ele estava e ele disse algo do tipo ”estou bebado, chapado, viajando e me sentindo exatamente como um rei deve se sentir” (tem como não amar e não querer escrever um livro????) o outro, o frank, é um velhinho muito doido que tem sempre uma cerveja escondida no casaco e no dia que estava chovendo pra caramba, ele me viu com um guarda chuva desses pequeninhos que não duram nem 15 minutos na ventania de dublin. então ele simplesmente chegou pra mim e me deu o guarda chuva grande dele e ainda disse: take this, you need more than me. e no dia seguinte, quando eu fui lá agradecer ele por isso, ele disse que me acompanharia até o fim da rua, pra eu não ir sozinha, afinal ele era um gentleman. e por fim, tem uma senhora meio mendiga, meio knacker, que no dia que thiago ficou lá na frente conversando comigo, quando ele saiu ela veio me perguntar se ele era meu namorado. eu só sorri, pq eu tinha meio que um pouco de receio dela pq ela é tipo MUITO mendiga louca bêbada. mas então ela sentou na calçada do meu lado e começou a me contar problemas com o ex marido e me ofereceu um gole da vodka dela. como diria o meu amigo russo: ”Ana and her new best friend forever – some divorced Dublin junkie with a drinking problem.” (um mundo de opções, um mundo!)
e então teve aquele músico bonitão que eu via ou cantando na rua ou apenas passando com o violão nas costas. um dia ele falou comigo, no outro eu que falei com ele. daí eu meio que comecei a prestar atenção pra ver se ele passava de novo, mas nunca mais vi.
até que chegou o dia que meu cabelo tava todo cagado e eu coloquei a boina pra ir trabalhar e uma maquiagem a mais que nos outros dias. e tipo fiquei meio que bem bonitinha. bem nesse dia ele passou. umas 3 vezes. na quarta vez ele deu uma flertadinha comigo. eu fui responder, toda sorridente..
mas o que eu consegui foi acertar um tapa na barriga de um cara que tava passando e ainda derrubar todos os meus menus no chão.
charme na street, eu tenho.

huahuahuahuhua! é gênio! blog sério e comportado é o caralho! a gente quer é isso mesmo! a deliciosa irresponsabilidade da ana! muito bom! um mundo de possibilidades! bjoca, maluca